27/10/2026

Quieta e perigosa, tomava sol

Tarcisio Miguel Sevegnani
Foto: MichelBioDelgado, CC BY-SA 4.0
Os carros pararam de repente na descida da serra.Nada a fazer, só esperar. Deve ser um acidente.Na beira da estrada, um pé de carqueja.— Olhem aquela planta, é um remédio!Vou pegar. Um vento puro entra no carro gelado,Três pessoas felizes queriam chegar na praia.A pista, o meio-fio, o capim baixo, a mata rala,E, adiante, a mata alta.Sigo atento e cuidadoso, estendo a mão para pegar a erva.Meus olhos, perplexos, a veem:Cores rajadas de uma cobra jararaca que se move.Recuo instintivamente, protegendo-me do bote.Ela desliza para a mata,E eu, distante da mordida mortal.Fui buscar um remédio... ou um veneno terrível?Diretamente injetado por presas peçonhentas.A jararaca apenas tomava sol, e eu só queria um remédio.Quebrei o equilíbrio. Eu era o invasor.Mas o instinto de defesa, treinado por anos na roça,Soube identificar o perigo.Em segundos, um fim de semana poderia ser trágico,Assim como o acidente que parou a todos na estrada.A vida por um fio, perto do meio-fio.

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