01/02/2025

A penúria onde brilha o ouro indígena Yanomami

Tarcisio Miguel Sevegnani
Foto: Nando Freitas, Pexels
A chegada portuguesa em 1500, a chegada dos brancos brasileiros em 1910.O branco invade a Urihi, a terra-floresta, a ipa urihi, "minha terra".A terra Yanomami, em poucos anos, vai da abundância à miséria e à fome;Fome de ouro para o branco, que não mata a fome Yanomami com o ouro indígena.Indigna é a vida tua, sem a vida do índio da ipa urihi com quem vivem;Deixar o indígena continuar nativo é condená-lo a ser pré-histórico;Um dia fomos primitivos, e, para sobreviver, evoluímos. Negar a evolução,Negar o ganho do chão, será tudo em vão, será a destruição;Mata-se a mata e os rios, o brilho do ouro ofusca a vida na Urihi;A terra sem cultivo nada produz, só induz ao que não conduz à vida.Dilema vil, viver no primitivo, vendo o entorno em pleno desenvolvimento;Fechai os ouvidos e olhos, nação sem nação, cobri seus filhos de miséria,Dai o alimento do que sobra, o engano que destrói a dignidade da tribo;Deixai que os brancos imundos, no lamaçal do ouro, tirem dos seus filhosO ouro que, na corrente, traz um mundo novo, que seus olhos são proibidos de enxergar.A humilhação, levada a tal ponto, que só com a ajuda humanitária terão o que comer.Acreditar na fonte de recursos, Urihi, a terra-floresta, não adianta mais,A Urihi não tem mais como dar seu sustento, ó povo da terra que os enterra.Os pajés, dedicados a domar as entidades e as forças que movem a ordem cosmológica,Não conseguem mudar a dura realidade que insiste em passar do extrativismo,Para trabalhar e cultivar a terra, e dela tirar sua nação da dependência e da miséria.O ouro na tribo, como metal, não tem valia, mas retirados pela tribo e vendido, a vida plena traria.Brilha o ouro que leva a morte para seu povo; cacique, cacife seu poder no desenvolvimento;O ouro que brilha para a vida que continua, e que sai da terra revolta.

tmSevegnani

"Minha opinião, conviva com a sua prezado leitor."